Parnaso de Além-Túmulo

 

        Para os amantes da poesia, Parnaso de Além-Túmulo é obra de valor extraordinário, pela sua dupla natureza, espiritual e material.  Ela traz de volta a veia poética de figuras ilustres da literatura do passado, algumas delas muito conhecidas do grande público, que teve contato com eles já nos bancos escolares, como:  Alphonsus de Guimaraens, Amaral Ornellas, Antero de Quental, Artur Azevedo, Augusto dos Anjos, Auta de Souza, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Cruz e Souza, Fagundes Varela, Guerra Junqueiro, José do Patrocínio, Olavo Bilac, Pedro de Alcântara (nosso Inperador), Raimundo Correia e muitos outros vates notáveis que, das profundezas do Infinito, cantam e encantam as almas sedentas das belezas da inteligência, com seu estilo próprio de escrever e envolver os corações mais sensíveis.

        Os poetas citados foram personalidades de ponta das literaturas brasileira e portuguesa e retornam aqui, pela pena mediúnica de Chico Xavier, para comprovar a continuidade da vida no além e a manutenção da individualidade e do caráter de cada um, provando assim que a morte não transforma ninguém, mas, além do túmulo, prosseguimos em nossa marcha evolutiva tal qual éramos quando encarnados, podendo identificarmo-nos por aspectos muito particulares do nosso ser.

        Por isso mesmo, esta obra causou grande alvoroço quando publicada, pois aqueles mais materialistas, descrentes da continuidade da vida individual do Espírito e da sua comunicação após a “morte”, ficaram na linha de frente das críticas e contestações, por zelosos dos valores da cultura humana e incapazes de admitir a legitimidade do processo mediúnico, como instrumento do intercâmbio entre os dois lados da realidade existencial.  Todavia, depois de exaustivas comparações e análises detalhadas de peritos em poesia, a grita acalmou e a obra teve o seu valor intrínseco reconhecido, alcançando seus mais altos objetivos, sendo hoje uma das mais significativas da literatura espírita do séc. XX e quiçá de toda aquela surgida até os dias de hoje, pelo seu conteúdo específico.    

Manuel Portasio