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Revista Espírita

 

               Depois do lançamento de O Livro dos Espíritos, com o qual se estabeleceram as bases filosóficas da novel doutrina, Kardec cuidou de criar um órgão de divulgação do material que lhe chegava às mãos diariamente, de todas as partes, e que não poderia de forma alguma perder-se na intimidade do seu gabinete de trabalho.  Foi assim que, em janeiro de 1858, veio a público a Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos, criada, dirigida e coordenada por Kardec até março de 1869.  O Codificador definiu sua importância no conjunto da Codificação, ao referir-se a ela no Livro dos Médiuns da seguinte forma:  “Variada coletânea de fatos, de explicações teóricas e de trechos destacados que completam a exposição das duas obras precedentes (ele se referia a O Livro dos Espíritos e a O Que é o Espiritismo),e que representa de alguma maneira a sua aplicação.  Sua leitura pode ser feita ao mesmo tempo que a daquelas obras, mas será mais proveitosa e sobretudo mais compreensível após a leitura do Livro dos Espíritos”. 

               A revista foi publicada mensalmente, até a desencarnação do Codificador (aliás, até o mês de abril de 1869, que Kardec preparou para a publicação, mas não viu publicada), e reunida em 12 volumes anuais.  E continuou a ser publicada mesmo após o seu decesso, tendo algumas poucas interrupções, mormente durante a 1ª. Guerra Mundial, durante a 2ª. Guerra Mundial e entre 1977 e 1986, por abandono do título.  Em maio de 1989, a Union Spirite Française et Francophone obteve o registro oficial da revista e reiniciou a sua edição.  Hoje ela é publicada em francês, inglês, espanhol, esperanto, polonês e russo.

               Ela se constituiu numa espécie de laboratório, onde Kardec examinava as manifestações mediúnicas colhidas por todo o mundo e enviadas ao Codificador, para análise e colheita de material para as obras da Codificação.  Estas continham as questões essenciais da doutrina, muitas vezes apenas afloradas, e que eram tratadas com maior amplitude no âmbito da Revista, com todos os pormenores de que eram portadoras.  Ela, então, tornou-se uma ferramenta indispensável para o estudo doutrinário.  Kardec utilizou a Revista também como um jornal que trazia as mais variadas e atualizadas notícias do movimento espírita do seu tempo, inclusive os relatos de suas viagens pelo interior da França e da Bélgica para tomar conhecimento de toda a problemática envolvendo os grupos espíritas lá existentes.

               É obra indispensável na coleção do espírita que está sempre a estudar e a buscar novos elementos de análise para o seu aprendizado e esclarecimento, além da coleta de dados para a preparação de palestras, aulas, artigos etc.  São mais de 4.000 páginas repletas de informações preciosas para o conhecimento de quantos se disponham a explorá-las “com olhos de ver”.

Manuel Portásio